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Os discos que mudaram tudo para mim

Creio que para a maioria das pessoas é muito fácil afirmar que odeia algum estilo musical. Para alguns pode ser uma espécie de defesa. "Como eu um rockeiro na essência posso afirmar que gosto de uma música sertaneja!" Para outros nem vale a pena o esforço de captar o sentido de uma distorção mais forte. "Não é possível que alguém possa ouvir essa barulheira e não gostar de samba." Fora aqueles que repetem mantras de preconceito "Funk / punk é um lixo!". 

Mas a verdade é que quando estamos abertos a descobrir novos sons, melodias, interpretações, um mundo novo se abre a nossos ouvidos. Quando aparece uma música de um estilo daqueles dos quais, de partida, afirmamos que não gostamos, é sinal que algo precisa ser revisto. Eu lembro bem cada vez que algo sussurou (ou gritou) nos meus ouvidos: ei, tem coisa boa por aqui. 


Tentei condensar na imagem abaixo os discos que mais me trouxeram esses momentos. Claro, alguns são de estilos repetidos pois são os mais fortes pra mim, e isso faz com que minha ecleticidade não esteja totalmente refletida aí. Gosto de algumas músicas sertanejas, várias nativistas, um bocado de clássicas, muito e jazz, samba e por aí vai. Só que para alguns desses estilos não consigo indicar obras completas. Os registros que batem no coração são mais restritos.

E só me faltam 4 deles pra ter todos naquele formato lindo...







O Reino Sangrento do Slayer

Tem muita literatura roqueira na coleção do Vicente! Dessa vez a pedrada foi ainda mais na raiz. Joel McIver resgata muito material e entrevistas feitas por ele próprio para descrever a carreira do Slayer. 

Assim como no livro do Metallica o autor opta por comentar cada música, o que é muito legal. Discordei de várias avaliações. Dizer que Mandatory Suicide é dispensável e Skeletons of Society é fraca? Realmente uma opinião questionável. Mas afinal, grande coisa. O próprio admite que se pode gostar mais das músicas rápidas ou lentas. Prefiro as mais arrastadas, perfeitamente registradas no South of Heaven. Mas sei que a maioria gosta mais do Reign in Blood. 

Na verdade isso não importa. Tom Araya, Dave Lombardo, Jeff Hanneman e Kerry King são criadores de um gênero musical do qual nunca se afastaram. O trecho do livro que escolhi para ilustrar esse post trata sobre isso. Faltam 7 discos para eu completar a discografia dos caras, é peso pra quebrar esse baú ao meio. 



Excelsior A Máquina Do Som Vol. 7

Essa coletânea lançada em 1978 não é de metal, mas tem duas referências interessantes com o estilo. Em pegadas muito diferentes quando executadas com peso. O que mais legal é a diferença nos estilos de voz. Se um prima pela afinação e a limpeza, o outro abusa da agressividade e distorção, exatamente como deveria ser. Duas ótimas músicas que estão no meu playlist. 


A primeira é a música Whutering Heights, escrita e gravada em 1977 pela cantora britânica Kate Bush. Nesse disco a canção está na sua versão original. Mas essa mesma composição foi regravada em 1993 pela banda brasileira de metal Angra, fazendo parte do disco Angels Cry. Primeiro a original, claro. Depois uma versão muito bem executada pelos brazucas.

A segunda referência é a música In-A-Gadda-Da-Vida. Lançada em 1968 pela banda Iron Butterfly, ganhou uma versão pesadíssima do Slayer em 1987, e fez parte da trilha sonora do filme Less than Zero (Abaixo de Zero no Brasil). Na coletânea da Som Livre ela é executada por Julia Keen & Pinupstick. Sinceramente, nunca ouvi falar... Vamos primeiro a ela, e depois para a pancadaria.


Mosh Pit, Roda Punk, Pogo, como preferir...

Essa postagem tem a ver com discos de vinil, indiretamente. Como o Rock In Rio é recente e motivou uma puxada para fora dos baús discos de Metallica e Faith No More, vamos ver algo relacionado a grandes shows. Em sua apresentação o Lamb of God tentou criar o maior "mosh pit" do mundo. Vai aos 49:00 do vídeo abaixo para ver a cena.


Aliás, como podemos facilmente notar, mosh não é se jogar do palco em cima da galera. Sempre achei que era, inclusive na época que eu praticava esta radicalidade. Mas não. O nome disso é "stage diving", na língua pátria, mergulho do palco. Foi isso que o Mike Patton fez. Ou tentou... Eu realmente gostaria de ver essa aterrissagem de perto. Se foi dolorosa ele segurou bem a onda.



Se o Lamb of God conseguiu fazer a maior roda punk do mundo não sei. Certo é que o Exodus, lá nos Estados Unidos, tentou incitar a mesma coisa e conseguiu uma notável adesão da galera. Não exatamente para rodar. O começo do negócio foi um pouco mais tenso que isso. E aí? Quem é doido... Aliás, quem comandou essa cena tocando guitarra merece seu lugar no Slayer. Vai lá Gary Holt.



Acredito que a maioria das pessoas acha esse tipo de cena um total absurdo. Até entendo, pois é óbvio que é meio bruto mesmo. Mas a ideia é essa mesma. Afinal de contas, que mal há nisso? Exceto um eventual machucado que o próprio sujeito estava ciente que poderia acontecer... Deixa a natureza humana transparecer, ora. Os animais também fazem das suas. Claro que de maneira muito mais bonita. 



Tá, mas e no fim das contas, indiretamente, o que isso tem a ver com disco de vinil? Além de também registrarem músicas violentas, eles rodam...
:-D

Show No Mercy - Slayer

Essa semana foi lançado o novo disco do Slayer. Grande acontecimento! Eu e vários meus amigos de infância gostamos muito da banda. Particularmente não me agradam os primeiros discos. E esse aí é o começo de tudo, a primeira pedrada no ouvido da galera. É rápido que só ele. Meio mal produzido também. Mas faz parte... Outra coisa que não cai muito bem são os agudos do Tom Araya. Ouçam bem o que ele faz em The Final Command. É até meio engraçado. O cara tem a voz mais furiosa do estilo, disparado. Definitivamente falsete não combina com ele. Crionics não parece Iron Maiden? Aliás, foi tocando uma cover deles que King e Hanneman chamaram atenção de um produtor. Opa, falando nisso, essa semana também teve um novo Iron! O décimo sexto de estúdio dos ingleses. Na carreira dos thrashers da Califórnia, o novíssimo Repentless é o décimo segundo. Mas voltando ao passado. O lançamento do Show No Mercy foi em 1983, cinco meses depois de sair Kill em All do Metallica. O meu é de 1986. Near mint with insert. Para ser mais exato.