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Heavy Weather - Weather Report

Keep jazzin please. Esse aí não foi um tiro cego. Explorando o blog Sons, Filmes e Afins me deparei com uma boa resenha sobre essa banda e o mesmo disco que tenho aqui. Foi estímulo mais do que suficiente para esquentar na agulha este vinil. O meu foi fabricado nos Estados Unidos em 1977, mas comprado na Argentina em 2014. 

LADO  A
1. Birdland: Mostra o poder do chefe austríaco Zawinul. Os instrumentos dão muito espaço uns aos outros. E quando devem se mostrar simultaneamente, fazem isso de forma magistral. Como bem lembra o Rodrigo, esta faixa chegou a virar hit, raridade para o jazz depois dos anos 70. O nome da música é em homenagem a Charlie Parker, o Yardbird ou apenas Bird.
2. A Remark You Made: também composta por Joe Zawinul, é muito mais relax. Poderia facilmente embalar qualquer cena de amor em um filme.
3. Teen Town: Essa foi feita pelo baixista monstruoso chamado Jaco Pastorius. A virada de batera que a abre mostra onde ele queria chegar. O baterista usa e abusa do cimbal em ritmo frenético, enquanto o dono da partitura faz solos alucinados em espaços exclusivos para seu instrumento. 
4. Harlequin: Veio da habilidade de Wayne Shorter. É conservadora e progressiva.

LADO B
1.Rumba Mamá: Espaço completo ao baterista Badrena e ao percussionista Acuña., parece ter sido gravada ao vivo. É pura percussão e canto em estilo caribenho. Os caras exigem das peles.
2.Palladíum: Shorter nos dá uma breve abertura voltada para o rock. Mas logo depois começa a quebradeira. Super swing em clima de night club.
3.The Juggler: Zawinul em uma viagem muito mais introspectiva e psicodélica. Sem certo nível de volume não se escutam seus momentos mais leves.
4.Havona: Com a segunda canção de Jaco Pastorius as portas se fecham. E ele está possuído. Os outros instrumentos tem momento de descanso, mas ele não. Senta a lenha do começo ao fim. 

Jazz fusion de primeira, em qualquer tipo de mídia que esteja registrado.

Lojas de discos em Buenos Aires

Recentemente realizamos um sonho da minha esposa, conhecer Buenos Aires. Como é uma cidade cheia de cultura, famosa por suas livrarias e teatros, a música certamente não ficaria de fora. E não fica mesmo. Garimpar discos na terra dos hermanos é muito bom, e pode demandar bastante tempo se você estiver na fúria vinilica. São várias opções, com lojas para todos os gostos e preços para todos os bolsos. Peguei o endereço de vários locais de compra e venda de discos novos e usados em uma página do site Rate Your Music (*rym). Mas por uma feliz questão do destino a primeira disquería que conheci não estava na minha lista, pois na minha opinião foi a melhor. Lá que achei o disco que eu mais procurava atualmente. E o mais importante, foi ali também o melhor atendimento e conversa sobre música com um portenho. Eduardo é o nome dele. Pensou o que seria de sua coleção após sua partida e decidiu montar a loja. Conhece de tudo, é muito simpático e bom negociador. A Estimado Vinilo fica no segundo andar da livraria El Rufian Melancólico, Rua Bolívar, 857, San Telmo. ATENÇÃO! A Estimado Vinilo mudou de endereço. Agora está na Calle Carlos Calvo 423 (apenas 200 metros de distância do endereço antigo) 

Aqui em cima eu sendo apresentado para os estimados vinis pelo Eduardo. E logo embaixo o que veio de lá para meu baú. Só coisas boas e muito bem cuidadas. 
Também deixei alguns pesos argentinos na Melomania, que fica na Avenida Corrientes 1246. De lá vieram, em duas etapas, três discos do Weather Report. Todos em perfeito estado. Era para ser só um, mas não aguentei... Eles também tem uma boa coleção, bom atendimento e com preços justos. 
Como resultado da minha breve exploração, duas outras lojas precisam ser mencionadas. E que, por coincidência, ficam na mesma galeria, na Av. Corrientes 1382. A primeira é a El Gallo Cantor. Muitos discos bons e um site bem legal! Provavelmente a mais variada em estilos. Foi a loja que minha mão mais coçou. Muitos Beatles, vários Frank Zappa, Led Zeppelin de sobra e muito mais... Vá com dinheiro e não te arrependerás.

Por fim, mas não menos relevante, indico a jazzística Minton's. Ali o negócio e jazz, nada menos, nada mais, jazz em sua mais tradicional vertente. A especialização no estilo é levada muito a sério pelo proprietário, e isso dá um ótimo resultado. Lá fui apresentado a uma máquina de lavar discos de vinil fabricada na Argentina. Era uma versão anterior ao do modelo mostrado no vídeo abaixo, mesmo assim um lindíssimo aparelho! Vi seu funcionamento e deu para perceber que é um projeto que merece respeito.

Conheci outros poucos lugares, alguns com acervo até maior que as indicadas acima, como a Eureka, em San Telmo. Mas alguma coisa não agradou nessas outras, como o atendimento, o preço ou o estado dos discos. De qualquer maneira, ainda haveria muito para ver. Se gostas dos bolachões e vai dar umas voltas ali no país vizinho, reserve um tempo para procurá-los, pois creio fortemente que sua busca não será em vão. Vá para a Argentina, um povo amável, boa carne, vinho, cultura e discos de vinil te esperam.