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Os discos que mudaram tudo para mim

Creio que para a maioria das pessoas é muito fácil afirmar que odeia algum estilo musical. Para alguns pode ser uma espécie de defesa. "Como eu um rockeiro na essência posso afirmar que gosto de uma música sertaneja!" Para outros nem vale a pena o esforço de captar o sentido de uma distorção mais forte. "Não é possível que alguém possa ouvir essa barulheira e não gostar de samba." Fora aqueles que repetem mantras de preconceito "Funk / punk é um lixo!". 

Mas a verdade é que quando estamos abertos a descobrir novos sons, melodias, interpretações, um mundo novo se abre a nossos ouvidos. Quando aparece uma música de um estilo daqueles dos quais, de partida, afirmamos que não gostamos, é sinal que algo precisa ser revisto. Eu lembro bem cada vez que algo sussurou (ou gritou) nos meus ouvidos: ei, tem coisa boa por aqui. 


Tentei condensar na imagem abaixo os discos que mais me trouxeram esses momentos. Claro, alguns são de estilos repetidos pois são os mais fortes pra mim, e isso faz com que minha ecleticidade não esteja totalmente refletida aí. Gosto de algumas músicas sertanejas, várias nativistas, um bocado de clássicas, muito e jazz, samba e por aí vai. Só que para alguns desses estilos não consigo indicar obras completas. Os registros que batem no coração são mais restritos.

E só me faltam 4 deles pra ter todos naquele formato lindo...







Encartes Calendário

Em postagem anterior mostrei uma coletânea da Rita Lee que tem um calendário no encarte. Até então eu não conhecia nenhum outro com as mesmas propriedades. Mas José carregou essa foto de um disco do Alice Cooper que traz um calendário do ano de 1973. 
Logo na sequencia, na garimpada do ano, encontrei outro exemplar com a mesma ideia, mas também com uma diferença inusitada. Dessa vez foram os extravagantes sertanejos Milionário e José Rico que colocaram um calendário no encarte. Só que o deles começa em maio de 1988 e termina em abril de 1989. Na hora não me atentei em olhar se isso tinha alguma explicação. 
E só para constar, nossa eterna roqueira está aí de novo. Agora vem a questão. Quantos discos tiveram esse "bônus" em sua produção gráfica? Certamente grande parte deles devem ter sido a alegria da juventude que enchia paredes de posteres.

Rita Hits - Rita Lee

Esse disco da nossa roqueira mor do Brasil tem algumas coisas bem interessantes. A primeira delas é a própria capa. Esse aperto de mão na rainha ficou bem legal, e mostra a usual irreverência de Rita Lee. Ainda na parte gráfica vem a segunda curiosidade. Um dos encartes é um calendário de 1985. Não lembro de ter visto nada parecido em outro disco. Mais legal ainda é o aviso aos fãs que em maio do mesmo ano sairia um álbum novo. A outra peça do encarte não chama muita atenção, mas é bonita e mostra que os produtores não economizaram nesse quesito. 

A organização e seleção das músicas também merece registro. Uma coletânea com 21 faixas é bem extensa pra um vinil. Não sei se foi por isso, mas o fato é que apertaram todas elas em apenas dois blocos, um em cada lado. Todas são releituras de composições famosas, mas emendadas uma na outra, em forma de pout pourri remixados, como se fossem apenas uma música.

Disco lançado em 1984 pela Som Livre.