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Paris em Primavera - Grande Orquestra Victor Bass

Descobri a música desse ilustre desconhecido brasileiro só agora em 2018. Infelizmente oito anos depois que ele se foi, segundo sua página no Facebook. Músico autodidata e poeta ele já foi até anonimizado por uma televisão. Todas as faixas são suas composições, primam pela suavidade e pela participação dos mais variados instrumentos. Por sorte já se sabe mais sobre ele. Sua história está muito bem descrita no Baú do Jefersonno Columbia News e em artigo de Aramis Millarch, aos quais peço licença para reproduzir tudo o que está escrito logo abaixo. Uma parte da música do nosso país já impressa em vinil muito subvalorizado. 

segunda-feira, 17 de setembro de 2007
Grande Orquestra Victor Bass
No início da década de 70 a extinta TV Paraná, emissora associada da antiga Rede Tupi, encerrava suas transmissões com um tema chamado "Fim de Noite". Era uma música suave, romântica, executada de forma exuberante com arranjos para orquestra e de autoria de um compositor misterioso. 
Quem era o autor daquela linda peça? À época ainda não tinha o costume de pesquisar sobre música instrumental, mas mesmo assim aqueles acordes ficaram registrados em minha memória. O tempo passou até que, em 1978, a Rede Globo, no programa Fantástico, mostrou Moacir Vitor Taborda Ribas, já conhecido nos meios artísticos como Victor Bass, que antes tinha emplacado na mesma emissora o tema "Senhora" para a novela de mesmo nome, exibida no ano de 1975, adaptação de Gilberto Braga do romance homônimo de José de Alencar. 
A história da vida artística deste paranaense nascido em Rio Negro (cidade fronteiriça com Mafra-SC) em 1941 tem duas curiosidades interessantes. Uma é o fato de não ter formação musical, ser apenas autodidata e realizar a façanha de elaborar complexos arranjos musicais. Estes arranjos, para uma orquestra inteira, envolviam temas que eram transpostos para as pautas com ajuda de maestros consagrados. Em 1987 seu LP "Paris Em Primavera" ganhou o mundo. A orquestra do francês Paul Mauriat e Richard Clayderman gravaram suas composições. 
A outra e mais inusitada passagem da vida é o fato da sua gravadora ter montado uma farsa para escondê-lo da mídia, anunciando que ele morava em Paris. Em reportagem ao Jornal do Estado, assinada pelo repórter José Marcos Lopes, Victor revelou: "Nunca estive lá. Nunca fui. Estava na Barreirinha" [¹]. Continuava por aqui, deliciando-se com os xineques [²]. Viveu na Europa sem nunca ter estado lá. 
Vitor Bass, além das mais de 400 composições, escreveu diversos poemas que se constituem em louvação à terra dos Pinheirais, seus costumes, sua natureza e seu cotidiano. São poemas que precisam ser lidos com uma advertência: foram construídos para serem cantados e secundados pelas melodias que lhes davam o contorno das canções.
Hoje o Maestro, como chegou a ser chamado, vive no esquecimento e volta e meia tem que provar que é ele mesmo. A reportagem do Jornal do Estado, xerocopiada, virou carteira de identidade, por isso está sempre dentro da pasta que carrega debaixo do braço. É mais uma vítima da realidade de um país que não reconhece os valores da sua gente, onde as entidades arrecadadoras de direitos autorais só servem para arrecadar e as gravadoras sugam seus ídolos e depois os abandonam entregues à própria sorte. 
O governo do Estado, através da Secretaria de Estado de Cultura, mesmo que tardiamente, resgatou um pouco desta história. O projeto cultural relançou 16 dos maiores sucessos do conterrâneo, no CD "The Best of Grande Orquestra Victor Bass". Atlântico Sud, Le Seigneur du Monde, Allons Danser, Amour Sans Adieu, Passage Pour Le Paradis, Rue des Fleurs, Waleska e Gracieuse são alguns dos hits que compõe a homenagem.

Texto Retirado do BLOG http://www.infinitopositivo.blogger.com.br
Com Autoria de Ery Roberto.

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segunda-feira, 11 de abril de 2011
VICTOR BASS - VIVEU NA EUROPA SEM NUNCA TER ESTADO LÁ
A poesia e a música muitas vezes caminham de mãos dadas. Em algumas ocasiões, uma poesia se traduz numa canção suave que embala a alma e em outras, uma canção se traduz na mais pura poesia da imaginação de quem seja ou não um poeta. A chamada música orquestrada é a poesia sem uma escrita definida. Ela apenas se traduz pelo conjunto de notas eficientemente distribuídas de maneira a resultar numa espécie de toque de magia. E através de uma música sem letra, cada uma faz a sua própria escrita, deixando-se levar pelos sentimentos mais profundos e navegando assim pelos desconhecidos oceanos da natureza humana. A cada um o seu dom específico embora eu deva admitir que se não fosse um pouco poeta, gostaria de ser um pouco músico. O curioso é que para ambos os casos é preciso, na maioria das vezes se deixar levar pela inspiração até que o resultado final possa encher nosso coração com uma alegria indescritível. Se música e poesia às vezes caminham juntas, poetas e músicos também. Na passagem da vida esses encontros não são uma raridade e as amizades se fortalecem porque as idéias se transmutam em palavras e notas musicais. Mas os sonhos são praticamente os mesmos: mexer com a sensibilidade alheia! Lá se vão 35 anos desde que conheci um dentre vários músicos curitibanos, uma espécie rara, enraizada na sua terra e teimosos por natureza. Este músico em especial tinha uma vantagem entre a maioria: nos finais da programação da TV Paraná - Canal 6, lá no início dos anos 70, todos os dias era executada uma de suas músicas com diversas imagens bonitas que sinceramente, levavam muitas pessoas a aguardar o encerramento da programação para curtir aquele momento todo especial e assim, ir dormir banhado pela sutileza de uma música tocante e pela harmonia das imagens. A canção era “Atlântico Sul”, no melhor estilo de Paul Muriat. Quantos teriam tido sonhos esplêndidos através daquela experiência única? Até esse tempo, Victor Bass para mim era um desconhecido e pelo nome, deveria morar muito longe. Bastaram poucos anos para que de repente surgisse na minha frente, na antiga TV Iguaçu - Canal 4 aquele individuo que tentava conseguir ali o mesmo espaço, já que na TV Paraná, com a entrada da Rede Bandeirantes, o encerramento também tinha ido para o espaço. A tarefa não foi tão simples, mas logo, lá estava no encerramento do Canal 4 uma nova canção de Victor Bass: La Magie, que tinha imagens de um planador que evidentemente só poderia nos permitir a fazer altos vôos em nossos sonhos. A montagem foi feita por um colega chamado Eron. Pouco mais tarde, lá estava o Victor de novo e desta vez, fui eu quem ficou com a tarefa de reunir as imagens, todas extraídas de filmes de 16 milímetros e que em função da música (Lê Seigneur du Monde) também tinham várias cenas com aviões. A coisa não ficou por ai e ao longo do tempo, nossa amizade só foi crescendo e devo abrir um parêntesis aqui para agradecer o Victor Bass por toda a ajuda prestada por um longo período, que não há o que possa pagar, a não ser o meu reconhecimento. Pois bem, um belo dia ele apareceu todo empolgado, com a fita master de uma nova canção e não deu outra, corremos contra o tempo, selecionamos imagens e logo estava no ar o “novo clipe” do Victor Bass. Desta vez a música era “Le Dernier Hiver” e para encerrar esses bons tempos, ainda fizemos outro com a canção “Cordillieres”. A partir daí o encerramento das emissoras deixou de existir, salvo em pequenos períodos na madrugada quando o pessoal técnico aproveita para fazer manutenção. Em suma: as redes vieram e as pessoas deixaram de ir dormir mais cedo e com a cabeça tranqüila. Tudo se transforma e passa, mas as canções do Victor Bass por certo vão se eternizar. Ao longo dos anos em que fizemos aqueles clipes de final de noite, Victor sempre se mostrava entusiasmado, batalhando para produzir um novo disco e com muitos esforços acabava conseguindo ajuda e fazia circular um novo “bolachão” reunindo as suas melhores canções. Os discos traziam a inscrição “Grande Orquestra Victor Bass” e a maioria das pessoas achava se tratar de um maestro francês, já que naqueles tempos Paul Muriat era o mais famoso. Aliás, uma curiosidade: A canção “Lê Seigneur Du Monde” só ganhou esse título porque na mesma época Muriat lançara na Europa a canção “Lê Concorde”, uma homenagem aos famosos supersônicos franceses. Era para ser esse o titulo da canção de Victor e ele se viu obrigado a criar outro que acabou ficando dentro do estilo. Ser músico é uma aventura arriscada! Poucos conseguem chegar ao estrelato, ficar rico e poder se aposentar com tranqüilidade. Victor Bass sempre soube disso e passava a maior parte dos seus dias com os discos debaixo do braço vendendo um por um nas casas noturnas e nos bares da cidade. Em algumas ocasiões conseguiu colocar seus discos em lojas e supermercados, mas era no corpo a corpo que ele conseguia extrair os recursos de que precisava. Para quem não sabe, Victor Bass nasceu Moacir Vitor Taborda Ribas, num distante 17 de abril de 1941 na cidade paranaense de Rio Negro. Como se vê, Victor chega agora aos 70 anos de idade e é evidente que merece esta singela homenagem, mais um registro dos seus feitos, a maioria nunca reconhecidos. Como ele mesmo sempre disse: “Nossa terra não tem memória e seus ídolos são relegados ao esquecimento”. Mas tenha certeza meu caro Victor Bass de que seus verdadeiros amigos jamais o esquecerão. Como esquecer o músico, o poeta, o cara que tinha uma boa piada para contar e que no bolso do paletó guardava grandes sonhos? Como esquecer que você, em 1976 teve uma música composta para a novela Senhora, da Rede Globo e como esquecer ainda o seu LP “Paris, Eterna Primavera”, que foi um grande sucesso? Não se pode esquecer o amigo, o músico, o poeta e o sonhador. Pena que não temos mais o encerramento na televisão senão; pode ter certeza – a gente continuaria a oferecer aos “corujas” aqueles quase 4 minutos de boa música, lindas imagens e um nome a zelar: Victor Bass – o músico que viveu boa parte da vida na Barreirinha, enquanto a maioria, acreditava que ele vivia em algum lugar da Europa. Pode estar certo, ainda que em seus sonhos, viveu na Europa sem nunca ter estado lá! A última vez que conversei com o Victor já faz mais de um ano e ele andava arriscando a sorte, tentando de repente conseguir um espaço como aqueles de outrora. Eu confesso que fiquei duplamente triste. Primeiro por não poder lhe prestar aquela ajuda e depois, por ter percebido que o peso da idade já o deixara um tanto adoentado. Sei que às vezes ele se aventura numas passadas pela Boca Maldita, na Rua das Flores, por certo revendo amigos, revendo o coração da cidade que sempre amou e para a qual também compôs “Rue des Fleurs”. Daquela última vez em que falei com ele, Victor me entregou um CD reunindo as suas melhores ou mais famosas canções e um livreto com uma pequena biografia e algumas de suas poesias. E lá segue o grande Victor Bass, por certo, com sua inseparável pasta debaixo do braço onde carrega fragmentos de sua jornada, mostrando para alguns, recortes de jornais, poesias e, acima de tudo, mostrando que sempre esteve aqui, neste “pedacinho de Europa”, fazendo música, tecendo sonhos e deixando fluir a pura essência de suas poesias em dó, ré, mi pelas linhas mais misteriosas de suas já amareladas partituras.
Pedro Brasil Junior



Monsieur Victor Bass, le maestro international!
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado em 11 de dezembro de 1981
- Madames, Monsieurs! Nous avons le paisir de vous presenter monsieus, le Maestro VICTOR BASS! Victor Bass, um curitibano de 39 anos, sonha há muitos anos com esta apresentação. Compositor e cantor da noite, Victor é conhecido de quem freqüenta os ambientes boêmios da cidade. Durante anos, o bom Victor violão deixo do braço fez o circuito de nossas raras casas noturnas - restaurantes, bares, night-clubes, sem preconceito, visitando os ambientes mais refinados e os mais populares. Eclético, romântico, Victor sempre teve a música certa para o momento exato - e assim conquistou muitos corações e distribuiu amores. Ao longo dos anos, Victor viu muitos companheiros partirem. Alguns fazendo sucesso como Tuclay, hoje já com elepês gravados e que preferiu os caminhos jovens. Há 3 anos passados, Victor garantia que já tinha 385 músicas prontas. Na proporção que o tempo passa, sua produção deve ter aumentado. xxx Se ainda não conseguiu chegar aos grandes palcos, à frente de uma orquestra com muitas cordas, "ao estilo de Paul Mauriat", ao menos em disco, Victor começou a concretizar o seu sonho. Com selo da FIF Fermata Indústria Fonográfica (30.017, outubro/81), saiu o lp "Victor Bass e sua orquestra". Nenhuma identificação maior - na capa e contracapa, a visão de uma belíssima morena - e outra não poderia ser a ilustração do que uma mulher, musa constante e maior em sua vida e carreira. As dez canções têm títulos em francês: "Le Dernier hiver", "Allons Danser", "Amour Sans Adieu", "Un joyeux dimanche", "Gracieuse", "La Magie", "Par Hasard", "Atlantic Sud", "Ruedes Fleurs" e "Le Seigneur du Mond". Uma observação: "Un joyeueux dimanche", parceria com J. G. Tatara, J. G. é João Gilberto: Tatara. xxx Aos amigos, falando de sucesso que algumas de suas músicas estaria fazendo em outros países ("1o lugar na Venezuela, 2o, na Colômbia; 3o no Equador", etc), Victor sempre pediu: "Não conte que Victor Bass é de Curitiba. Estou proibido contratualmente. É uma jogada da gravadora". Mas, perguntamo-nos, seria justo que os paranaenses não saibam, que Victor Bass é um filho da terra? Um moço de talento, persistente e que tem suas músicas aceitas internacionalmente! É bem verdade que este seu lp foi gravado no Audison, de Reinaldo Camargo, no bairro do Cabral, Rua Manoel Pedro. Fernando Montanari, pianista de larga quilometragem na noite curitibana fez os arranjos e cuidou dos teclados, arregimentando uma dezena de instrumentistas da cidade. Victor orientou a gravação, sugeriu os arranjos, fez algumas passagens e diz algumas palavras em francês. Tudo num espírito muito intimista, dentro da linha harmoniosa da gravação, suave, para emoldurar romances, bem de acordo com o temperamento de Victor. Um disco orquestrado, suave, ideal para ser programado pelas FMs, para se ouvir antes ou depois do amor - em boa companhia, é claro! Não se trata, entretanto, da primeira gravação de Victor. Anteriormente a Continental já editou um compacto simples trazendo numa das faixas o suave "Atlântico Sul", que com efeitos imitando sons de gaivotas, ondas batendo na praia, foi escolhida para o sufixo de encerramento da TV-Iguaçu há algum tempo. Arlindo Ponzio, comerciante de discos rurais e rurbanos, estabelecido com duas lucrativas lojas na cidade e que há dois anos tentou a carreira de produtor-diretor, com os calamitosos "Caminhos Contrários" e "Deu a Louca em Vila Velha" (este realizado com as sobras do primeiro filme e que ainda não conseguiu exibição em Curitiba), lançou também um elepê de Victor Bass, que, infelizmente, não teve sequer distribuição nas rádios da Capital. Antes disto, o próprio Victor, artesanalmente, gravava suas músicas em minicassete, vendendo as cópias aos seus amigos da noite. Portanto, Victor é um lutador pelo seu espaço dentro da música. Traçou o seu rumo e espera alcançar o seu sonho: não apenas o reconhecimento como compositor, mas como "homem-símbolo de uma grande orquestra". xxx Victor não é o primeiro e não será o último compositor e músico brasileiro a sonhar com imagens internacionais. Nos anos 50, frente a um já crescente colonialismo cultural que impunha centenas de êxitos internacionais por semana, o excelente saxofonista Moacyr Silva (Moacyr Pinto da Silva, Conselheiro Lafaite, MG, 10/5/1918), com o nome de "Bob Fleming" fez uma série de elepês para a Musidisc, onde o produtor Nilo Sérgio também inventou uma série de outros "nomes internacionais" para disfarçar instrumentistas brasileiros que, com seus nomes verdadeiros não conseguiram o mesmo sucesso. No anos 60 e, especialmente, 70, a fórmula continuou. Afinal Maurício Alberto Keissman só se tornou conhecido como Morris Albert após o seu "feelings" estourar em quase todo o mundo. Light Reflections era o nome de um grupo de rapazes de São Paulo e Christiam é o pseudônimo artístico de um adolescente do Interior de Gioás, cara de índio xavante, mas que só canta em inglês. Dezenas de outros exemplos podem ser inventariados, num exercício aliás interessante para mostrar esta faceta do colonialilsmo musical a que muitos estão sujeitos para escalar as paradas de sucesso e se projetar - mesmo que temporariamente e neste difícil mercado. xxx Victor Bass, honestamente, manteve o seu nome verdadeiro. Simples, humilde, educado e atencioso, cultiva o seu justo junho de uma grande orquestra. Deseja ver suas músicas românticas, emolduradas em arranjos açucarados, consumidas internacionalmente. É um direito seu, embora, o melhor seria se, ele, - como tantos outros - tivesse oportunidade de fazer discos em que pudesse dizer os nomes de suas músicas em bom português e ao invés de esconder o nome dos músicos, pudesse detalher a ficha técnica. "Só que então, não se venderia nada", argumenta-se. Infelizmente, vende-se o sonho do anonimato. E da ilusão.Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente em:
Veiculo: Estado do Paraná
Caderno ou Suplemento: Almanaque
Coluna ou Seção: Tablóide
Página: 6
Data: 11/12/1981

Flashpoint - Rolling Stones

Não sou um grande fã de discos ao vivo. Mas é claro que reconheço sua importância no sentido de mostrar a que uma banda realmente veio, pois como diz o Faustão "quem sabe faz ao vivo". Esse aí, particularmente é um que me agrada muito. Os Rolling Stones mostram claramente que são monstros do palco. Flashpoint foi gravado na turnê de 1989 e 1990 e traz a banda afiadíssima. Clássicos em cima de clássicos com uma pegada muitas vezes até melhor que no estúdio. Ganhei minha cópia no meio daquele lote valioso do amigo Vina, capa e vinil perfeitos, mas infelizmente sem o encarte. E essa peça acaba fazendo falta, pois é um disco que bate recorde em falta de informação na capa. Nome da banda, do disco e só. Nem brasão de gravadora. Mas espera aí, isso é na verdade uma grande sacada da banda que provavelmente será a mais longeva do mundo para sempre.

Watch Out! - Baja Marimba Band

A música latino americana tem um charme que é só seu. Da alegria incontida até o lamento mais sentimental, todas carregam algo que é bem próprio do nosso continente. A Baja Marimba Band sabe o que isso significa e traz a música mexicana de maneira competente, misturando temas animados e outros mais românticos, mas tudo com aquele tempero caliente que sempre esperamos quando nos vemos perto do equador. Diz o Discogs que esse disco é de 1966, mas não consegui encontrar o ano de prensagem na minha cópia. O encarte promocional é bem legal. E afinal, o que o Gregório Duvivier está fazendo na capa do disco? 😜








Tom - Tom Jones

Você gosta de soul? De verdade mesmo? E conhece o disco abaixo? Não? Pois então corra atrás dele com urgência! O nome da obra é Tom. O nome do cantor, Tom Jones. Lançado em 1970, este vinil lava a alma. O lado A é verdadeiramente especial. Não oferece descanso com uma pedrada atrás da outra. Coisas cantadas pela Tina Turner ou Commitments ganham versões memoráveis. Clássicos em ritmo forte e rápidos, com aquele ímpeto vocal que só os grandes do soul sabem fazer. Ele é branquelo, sim, mas consegue voar alto. O lado B já é bem mais calmo. Parece a ressaca depois da festa, ou o nascimento do amor por alguém que se conheceu lá. Um grande disco, com proposta equilibrada que agrada agitados e românticos da soul music.



As Músicas Paraguaias Que Eu Pedi - Conjunto Ponta Porã

Linda música dos nossos hermanos de Paraguay! Entre algumas canções cantadas e outras instrumentais, todo sentimento desse pequeno país é dignamente executado pelo Conjunto Ponta Porã, comandado pelo maestro Hermínio Giménez. Vale a pena ler a história dele na Wikipedia. Entre outras coisas foi exilado político durante boa parte da sua vida. Devido a essa condição dirigiu orquestras em vários países e no Brasil. Por esse motivo acredito que o conjunto desse disco é de músicos brasileiros, menos os cantores. Mas é só uma suposição, pois não encontrei nada sobre eles. Todas as faixas são muito interessantes. Há, claro, um pé forte no tango, mas sobra uma alegria que não se acha muito nos argentinos. Uma das músicas se chama "Lembrança de Curitiba" e outra "Floripa Mi". A primeira é sobre a cidade brasileira, mas a segunda acho que não. Aliás, é um enigma inclusive com partes da letra em guarani. Un hermoso vinilo, sin duda!





Garimpo em Lages

Semana passada rolou um garimpo legal na minha amada cidade de criação, Lages. A busca aconteceu no Sebo Marechal, certamente o maior da cidade. Por 15 reais vieram dois discos instrumentais para a coleção. Um Leo Gandelman e um Esperanto (pelo menos eu acho que esse é o nome do guitarrista). Mais pra frente falaremos deles.

Vale a pena explorar a prateleira da segunda foto. Tem bastante coisa com preços bem legais. Mas o negócio muda de figura no outro setor de vinis. Com número bem menor de opções ali ficam os de rock e alguma coisa de pop. Mas os preços não ajudam. Um Somewhere In Time nacional, nem tão perfeito assim por 150 é um certo exagero, né?
  




Campeões de Bilheteria

Mais músicas de filmes? Sim, por favor. Aqui tem trilha dos seguintes filmes:

LADO A
Aventureiros do Ouro 
Música: Wanderin' Star, por Lee Marvin. Voz grave, muito parecida com a do Leonard Cohen.

Primavera de uma Solteirona
Música: Jean, por Mills Brothers. Bem sentimental, naquele estilo dos conjuntos vocais dos anos 60.

Romeu e Julieta
Música: Love Theme From Romeo and Juliet, por Ike Cole. Como não poderia deixar de ser, romântica até o osso.

Sebastian
Música: You Gotta Met Me Go, por Jerry Goldsmith. Primeira vez que ouço esse grande nome das trilhas sonoras fazendo uma música mais popular e animada. Normalmente seus temas são tensos e orquestrais, mas aqui não. É quase um rockinho.

O Mundo dos Aventureiros
Música: Corteguay, por Eumir Deodato. Olha nosso brasileiro renomado aí, gente! E ele traz a melhor música do disco. Instrumental e alegre, em clima que lembra muito nosso país. Gênio!

Estranho Casal
Música: The Odd Couple, por Neal Hefty. Também muito boa. Mas se ficasse só no instrumental seria melhor.

LADO B
Os Anos Verdes
Música: Come Saturday Morning, por The Urban Renewal. Aprazível como uma manhã de sábado. Daqueles bem calminhos...

Aeroporto
Música: Airport Love Theme, por George Wright. O teclado é meio perturbador, mas a guitarra salva o baile.

Sangue de Irmãos
Música: The Taste of Love, por The Creative Crowd. Conjunto vocal de homens e mulheres destilando delicadeza e classe.

Perdidos na Noite
Música: Everybody's Talkin, por Mills Brothers. Uma balada country muito bonita.

O Poder Negro
Música: Up Tight, por George Wright. Tem um riff bem legal. Mas não sei, não... De novo o órgão do senhor Wright dá uma estragada no clima. Poderia ser bem melhor.

Butch Cassidy
Música: Raindrops Keep Falling On My Head, por Billy Vaughn. Linda música. Falaremos mais de Billy Vaughn logo mais.



Music From Great Films - Sound Stage Orchestra and Voices

Continuando com as coletâneas de trilhas sonoras, agora com a interpretação da Sound Stage Orchestra and Voices, sobre a qual não se acha nada na internet. É um bonito disco, com destaque para a versão de Moon River (que até na capa ganha um brilho extra) e "The Emperor Waltz", composta por ninguém menos que Strauss. Existe uma versão gringa desse disco com outra capa, bem menos interessante que a nacional.



The Official Album of Disneyland / Walt Disney

Em que o gênio do entretenimento Walt Disney não se meteu, hein? Música é parte tão importante de toda sua criação que certamente deve estar registrada em centenas de discos. Esse aí debaixo ainda está na coleção. O outro que tive foi esse, bem mais elaborado e complexo, mas foi vendido para um fã muito ardoroso dessa fábrica de estórias e fantasias. Vinil prensado em 1980 nos Estados Unidos e ainda em estado absolutamente perfeito. God save Mickey Mouse.

Turma da Mônica e os discos

Ah, eu queria muito encontrar essa revistinha! Acho que alguém deve ter roubado os discos do pai do Cascão e o Cebolinha elaborou um plano infalível para encontrá-los...

No Mundo Maravilhoso do Cinema Vol 2

Uma coletânea de trilhas sonoras dos mais variados gêneros, com interpretações de Franck Pourcel, Matt Monro, George Martin, I Piccoli Cantori Di Rho, Danny Williams, Nelson Riddle e Norrie Paramor.

O destaque fica para a música "Thunderball" da trilha de 007 Contra Chantagem Atômica e "Unchained Melody" do filme Fuga Desesperada. Um pena que a mídia está um pouco judiada, e conta com um daqueles pulos que volta o disco pra trás... :-( 


Indiana Jones and the Temple of the Doom

Laser Disc... Nunca vi um tocar, não sei por quanto tempo foi vendido, nem quanto custava, mas tenho dois aqui, e não sei se funcionam... Um deles é desse filme clássico, que eu devo ter assistido umas 50 vezes.